Inicial

Programação

JUNHO

Exposição “O que aconteceu à cenoura?”

12 de junho a 31 de julho das 9h30 às 17:30
Coletivo Melro

Esta é uma narrativa individual e partilhada, coletiva, uma quase-fábula, que nasce de um processo quase Dadaísta de associação de ideias, palavras e sons. Neste ‘EA’ cabem várias interpretações – ou confabulações, como descreveria o crítico de arte e escritor inglês John Berger – e é exatamente isso que pretendemos explorar em ‘O que aconteceu à cenoura?’.

JULHO

Espetáculo YOLO

6 a 9 de julho
Sara Inês Gigante | +14

Decidi fazer este espectáculo depois de um telefonema com a minha mãe. Falava com ela sobre a minha impotência. Mais concretamente, falámos uma hora sobre formas de eu poder ter uma casa própria. A solução mais viável, e também uma das que sempre me impressionou mais por várias razões, seria a de comprar um terreno nos arredores de Lisboa, e comprar uma casa pré-fabricada. Percebi que o que parecia ser a solução mais viável estava ainda longe de ser viável. Ou talvez não…
Acabámos o telefonema e fui procurar terrenos na internet.
Depois, fui pesquisar sobre casas pré-fabricadas, os seus preços e as suas características.
Depois, fui pesquisar como se pede um crédito de habitação.
Depois, fui pesquisar se os bancos me emprestavam dinheiro para isto.
Depois, fiz contas.
Depois pensei. Pensei muito.
Depois, decidi que ia fazer este espectáculo.
E claro, voltei a ligar à minha mãe.

Bilhetes

"Vaamo Share Oque Shop é Beiro Pateiro"

13 a 17 de julho
Vera Mantero | +6

Como trabalhar com a Dançando com a Diferença? Como trabalhar com cada intérprete desta criação e sua especificidade? Como equilibrar tantas diferentes presenças? Estas questões percorreram e orientaram todos os dias e todos os processos que Vera Mantero atravessou para chegar a Vaamo share oque shop é Beiro Pateiro.
Desde o início do processo, uma característica teve um forte impacto na coreógrafa: uma alegria contagiante em estúdio, a impressão de haver sempre motivo para celebração, para festa, para júbilo, mesmo neste período de pandemia, ou talvez sobretudo neste período de pandemia... Mas esta peça é sobre o quê? Mais do que ser “Sobre” algo, ela deixa-se viver Sob um regime de associações livres e frequentemente não-verbais que são um retrato muito fiel de tudo o que foi vivido no seio deste grupo.
Vera Mantero

Pranto de Maria Parda

23 de julho às 18h
Miguel Fragata | +12

Pranto de Maria Parda parte do texto homónimo de Gil Vicente, escrito no rescaldo de um ano devastador e é levado à cena em 2021, no rescaldo de um outro ano devastador. Este espetáculo propõe-se vaguear pelas ruas de Lisboa à escuta da voz daqueles que a cidade escolheu deixar de lado, hoje, como há cinco séculos.
1521: Maria Parda vagueia pelas ruas de Lisboa. Não reconhece a cidade, assolada pela fome e pela seca. Quis Gil Vicente que Maria Parda simbolizasse o ano mau, que fosse mulher e alcoólica e que não tivesse lugar na cidade.
2021: Lisboa está irreconhecível,
desfigurada pela gentrificação, pela presença (e ausência) do turismo, pela pandemia. Quinhentos anos volvidos, Maria Parda continua sem ter lugar.
A tradição foi insinuando que da designação “Maria Parda” se extraía a ideia de uma mulher negra. Mas em nenhum momento Gil Vicente parece indicá-lo. Resultará essa conclusão de um preconceito de
interpretação e de leitura? Como se olha para este texto com quinhentos anos à luz das questões do racismo e do feminismo, que ele próprio hoje convoca, e que são prementes? Que caminho fizeram este texto, a cidade e Maria Parda - até hoje?

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